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T.
Angel: Como e quando você iniciou sua carreira
como artista gráfico?
Rafael Tavares: Assim como a maioria das
pessoas que trabalham com ilustração, eu desenho
por gosto desde muito novo, mesmo antes de aprender a ler
eu já tentava rabiscar. Profissionalmente só
comecei por volta de 2001, fazendo material didático
e institucional em estúdios pequenos. E em 2004 comecei
a trabalhar com material mais autoral, aonde eu pude desenvolver
melhor o estilo e temáticas que tenho mais interesse.
T.
Angel: Quais as principais dificuldades da profissão?
Rafael: Acho que o mais complicado mesmo
é lidar com clientes inconstantes, prazos curtos, ter
que trabalhar em horários malucos e virar noites pra
atender às expectativas. A vida social acaba ficando
em segundo plano em decorrência disso.
T.
Angel: Ser visivelmente tatuado já te atrapalhou
em algum momento?
Rafael: Atrapalhar de fato não. Em
lugares mais conservadores nos quais já trabalhei,
principalmente quando morava no ABC, tinha muita gente que
olhava torto sim, ou até falava algo que poderia ser
interpretado de forma ofensiva, mas nunca perdi trabalho por
conta disso.
T.
Angel: É possível ver claramente em
sua arte influências da ficção científica
e de H. R. Giger, certo? Além deles, quais são
as suas principais influências?
Rafael: Sem dúvidas, sempre fui muito
fã do Giger. Minha primeira tattoo, feita aos 14 anos,
foi justamente um desenho dele que vi em uma revista bem tradicional
de ficção científica chamada Heavy
Metal Magazine. Eu gosto muito também de cinema
de horror e música extrema, a estética e temáticas
que envolvem esses motivos servem de grande influência.
E além do Giger, admiro muito o trabalho de artistas
como Par Olofsson, Wes Benscoter, Tim Bradstreet, e alguns
mais tradicionais também como Luis Royo e Simon Bisley.
T.
Angel: É interessante perceber que há
uma intercomunicação entre o que você
expressa no “papel” e em seu corpo. Fale um pouco
sobre isso:
Rafael: Bom, acredito que o material que
um artista produz reflete também parte da sua personalidade
e das coisas que gosta. Quando marcamos nosso corpo com desenhos
também procuramos temáticas que expressem isso,
no final acaba criando uma unidade, acredito ser algo que
ocorra de forma natural.
T.
Angel: Já pensou em se tornar tatuador?
Rafael: Já sim, mas sempre tive outros
projetos, e fui adiando isso indefinidamente.
Hoje em dia não está mais nos meus planos, mas
não digo que é algo impossível de acontecer,
só não considero a possibilidade de tomar isso
como profissão, seria mais um hobby mesmo.
T.
Angel: Uma vez folheando uma revista Zupi encontrei
alguns de seus trabalhos. Onde mais podemos ver a sua arte
publicada?
Rafael: A maior parte do meu trabalho autoral
é mais fácil de ser encontrado em capas de discos
e merchandising para bandas, que é meu foco maior,
mais do que material editorial propriamente dito.
T.
Angel: Você já fez trabalhos para grandes
empresas e também para bandas, tem algum que você
considere favorito?
Rafael: É difícil escolher
um só… tem alguns que gosto mais, outros menos,
mas em todos tem um pouco de mim e das coisas que gosto ali
traduzidas de forma visual.
T.
Angel: Saindo um pouco do profissional - mas sabendo
que também é um “tema” que colabora
na sua influência como artista -, comente sua relação
com a body modification?
Rafael: Para mim tem uma conotação
apenas estética. Eu acho visualmente interessante,
tem a ver com minha personalidade, com o que me identifico
e minha relação se limita a isso.
T.
Angel: O que você tem em seu corpo e o que
vem no futuro?
Rafael: Se tratando de tatuagens, gosto de
caveiras, demônios, elementos referentes a guerra, morte
e demais negatividades.
Tenho o braço direito fechado pelo Mario Vitor, da
Masters of Tattoo do RJ, ele está fazendo o meu outro
braço também, mas ainda falta um bocado pra
finalizar. Tenho o peito fechado e estou fazendo também
o pescoço com o Mauro Nunes, da Led's Tattoo, que é
um grande tatuador, consegue colocar na minha pele exatamente
o que eu tenho em mente. Tenho algumas tatuagens soltas como
o pentagrama na barriga, o símbolo do Ulver (uma banda
que gosto muito) no pulso, e o escrito "Kill Life"
nos dedos das mãos.
Não penso muito em projetos futuros, eu costumo ir
fazendo conforme rola vontade ou apareça alguma idéia
que eu ache interessante colocar na pele.
T.
Angel: Deixe uma mensagem para todos que nos lêem:
Rafael: Eu agradeço a você T.
pelo interesse e pelo espaço, e convido a quem queira
conhecer mais um pouco do meu trabalho para visitar meu site:
http://www.digitalmiasma.net
espero que gostem.
Um abraço.
CONTATO:
www.digitalmiasma.net
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