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14.07.2010 por T. Angel
Entrevista
Rafael Tavares


O lado obscuro da arte

 

Entrevistamos o artista gráfico, e também FG, Rafael Tavares para falar um pouco sobre seu trabalho e sua relação pessoal com a modificação corporal.

O trabalho de nosso artista entrevistado chama a atenção por toda a criatividade, qualidade e pela forma que se inter-relaciona com o próprio corpo do mesmo. É o tipo de arte obscurantista que só poderia ser concebido por uma mente deveras iluminada. Confiram abaixo!

 

T. Angel: Como e quando você iniciou sua carreira como artista gráfico?
Rafael Tavares: Assim como a maioria das pessoas que trabalham com ilustração, eu desenho por gosto desde muito novo, mesmo antes de aprender a ler eu já tentava rabiscar. Profissionalmente só comecei por volta de 2001, fazendo material didático e institucional em estúdios pequenos. E em 2004 comecei a trabalhar com material mais autoral, aonde eu pude desenvolver melhor o estilo e temáticas que tenho mais interesse.

T. Angel: Quais as principais dificuldades da profissão?
Rafael: Acho que o mais complicado mesmo é lidar com clientes inconstantes, prazos curtos, ter que trabalhar em horários malucos e virar noites pra atender às expectativas. A vida social acaba ficando em segundo plano em decorrência disso.

T. Angel: Ser visivelmente tatuado já te atrapalhou em algum momento?
Rafael: Atrapalhar de fato não. Em lugares mais conservadores nos quais já trabalhei, principalmente quando morava no ABC, tinha muita gente que olhava torto sim, ou até falava algo que poderia ser interpretado de forma ofensiva, mas nunca perdi trabalho por conta disso.

T. Angel: É possível ver claramente em sua arte influências da ficção científica e de H. R. Giger, certo? Além deles, quais são as suas principais influências?
Rafael: Sem dúvidas, sempre fui muito fã do Giger. Minha primeira tattoo, feita aos 14 anos, foi justamente um desenho dele que vi em uma revista bem tradicional de ficção científica chamada Heavy Metal Magazine. Eu gosto muito também de cinema de horror e música extrema, a estética e temáticas que envolvem esses motivos servem de grande influência. E além do Giger, admiro muito o trabalho de artistas como Par Olofsson, Wes Benscoter, Tim Bradstreet, e alguns mais tradicionais também como Luis Royo e Simon Bisley.

T. Angel: É interessante perceber que há uma intercomunicação entre o que você expressa no “papel” e em seu corpo. Fale um pouco sobre isso:
Rafael: Bom, acredito que o material que um artista produz reflete também parte da sua personalidade e das coisas que gosta. Quando marcamos nosso corpo com desenhos também procuramos temáticas que expressem isso, no final acaba criando uma unidade, acredito ser algo que ocorra de forma natural.

T. Angel: Já pensou em se tornar tatuador?
Rafael: Já sim, mas sempre tive outros projetos, e fui adiando isso indefinidamente.
Hoje em dia não está mais nos meus planos, mas não digo que é algo impossível de acontecer, só não considero a possibilidade de tomar isso como profissão, seria mais um hobby mesmo.

T. Angel: Uma vez folheando uma revista Zupi encontrei alguns de seus trabalhos. Onde mais podemos ver a sua arte publicada?
Rafael: A maior parte do meu trabalho autoral é mais fácil de ser encontrado em capas de discos e merchandising para bandas, que é meu foco maior, mais do que material editorial propriamente dito.

T. Angel: Você já fez trabalhos para grandes empresas e também para bandas, tem algum que você considere favorito?
Rafael: É difícil escolher um só… tem alguns que gosto mais, outros menos, mas em todos tem um pouco de mim e das coisas que gosto ali traduzidas de forma visual.

T. Angel: Saindo um pouco do profissional - mas sabendo que também é um “tema” que colabora na sua influência como artista -, comente sua relação com a body modification?
Rafael: Para mim tem uma conotação apenas estética. Eu acho visualmente interessante, tem a ver com minha personalidade, com o que me identifico e minha relação se limita a isso.

T. Angel: O que você tem em seu corpo e o que vem no futuro?
Rafael: Se tratando de tatuagens, gosto de caveiras, demônios, elementos referentes a guerra, morte e demais negatividades.
Tenho o braço direito fechado pelo Mario Vitor, da Masters of Tattoo do RJ, ele está fazendo o meu outro braço também, mas ainda falta um bocado pra finalizar. Tenho o peito fechado e estou fazendo também o pescoço com o Mauro Nunes, da Led's Tattoo, que é um grande tatuador, consegue colocar na minha pele exatamente o que eu tenho em mente. Tenho algumas tatuagens soltas como o pentagrama na barriga, o símbolo do Ulver (uma banda que gosto muito) no pulso, e o escrito "Kill Life" nos dedos das mãos.
Não penso muito em projetos futuros, eu costumo ir fazendo conforme rola vontade ou apareça alguma idéia que eu ache interessante colocar na pele.

T. Angel: Deixe uma mensagem para todos que nos lêem:
Rafael: Eu agradeço a você T. pelo interesse e pelo espaço, e convido a quem queira conhecer mais um pouco do meu trabalho para visitar meu site: http://www.digitalmiasma.net espero que gostem.
Um abraço.


CONTATO:
www.digitalmiasma.net

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   
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