Beautification:
Microdermal
Dez
conceituados profissionais da modificação corporal,
de diferentes pontos do Brasil, responderam 20 perguntas sobre
o microdermal.
O que é, como faz, riscos, valores e tantas outras
informações completam esse artigo.
Sem dúvida alguma, o conteúdo desse apanhado
é de extrema importância para todos os profissionais
que atuam com tal técnica e também para o entusiasta
que pretende ostentar um microdermal no
corpo.
|
Os 10 profissionais:
[Organizados em ordem alfabética]
Gordex
Sâo Paulo - São Paulo
gordex.piercingtattoo@hotmail.com |
Johnnes
Rocha
Salvador - Bahia
jhonnescmf@gmail.com |
Luciano
Iritsu
São Paulo - São Paulo www.iritsupiercer.com |
Max
Alves
Umuarama - Paraná http:/fotolog.com/max_maluko2 |
Origami
Salvador - Bahia
origami.piercer@gmail.com |
Paulo
Vitor
Igaraçu do Tietê - São Paulo
paulo.vitor_mods@hotmail.com |
Popoldokiss
Ribeirão Preto - São Paulo
popoldokiss@gmail.com |
Ricardo
Depiné
Jaraguá do Sul - Santa Catarina
bydepine@gmail.com |
| |
Sick
Carapicuiba - São Paulo
sick.bodytunning@gmail.com |
Valnei
Recife - Pernambuco
bodyart_valnei@hotmail.com |
|
As 20 questões: Tudo o que você
precisa saber sobre o microdermal
1 - T. Angel: Há quanto tempo você
trabalha com o microdermal?
Gordex: Nove meses.
Johnnes: Um ano e sete meses.
Luciano Iritsu: Há um ano e pouco eu acho.
Pra essas coisas de tempo eu sou meio ruim...risos.
Max: Mais ou menos um ano...
Origami: Apesar de conhecer a técnica há
uns 5 anos, só comecei a aplicá-la no final de 2007,
quando tive conhecimento da fabricação de jóias,
com uma eficácia em relação a cicatrização
e melhor biocompatibilidade.
Paulo Vitor: Um ano e meio.
Popoldokiss: Acho que dois anos, não deve
ser mais que isso. ... risos
Ricardo Depiné: Pouco mais de 2 anos.
Sick: Faz quase 2 anos. Desde novembro de 2007.
Valnei: Comecei em julho de 2008, quando uma amiga
trouxe umas peças da Costa Rica e queria que eu aplicasse.
Nunca tinha visto as peças na minha vida, apenas em fotos.
Dei uma estudada rápida e fizemos com o método de
cateter, porquê em Recife não temos acesso à
punchs.
2
– T. Angel: Como se deu o interesse pela técnica?
Gordex: Como sempre estou me atualizando em minha
área (body modification), acabei conhecendo a técnica
com amigos e outros profissionais do meio.
Johnnes: Procuro estar sempre informado com as
novidades. BMEzine e vídeos na internet ajudaram bastante
para o meu interesse.
Luciano Iritsu: Acho que quando se trabalha na
área, você acaba se interessando por todas as coisas
que estão acontecendo no meio e como eu gosto de transdermal
e surface, acabei gostando também do microdermal.
Max: Estou sempre buscando atualizar minhas técnicas
de trabalho e saber o que está rolando de novo, disto veio
o interesse. Não me lembro quando vi um micro pela primeira
vez, mas não parei quieto enquanto não aprendi e coloquei
em pratica a técnica.
Origami: Sempre trabalhei com piercings incomuns
principalmente surface e pocket (flash staple), portanto, quando
vi os primeiros microdermais ou surfaces anchors o meu interesse
foi inevitável, por se tratar de uma coisa totalmente relacionada
as duas técnicas anteriores.
Paulo Vitor: Alguns anos atrás tive contato
e experiências com Dermal Anchoring. Alguns anos depois comecei
a ver peças sendo desenvolvidas especialmente para esse tipo
de procedimento, então, conheci o Microdermal mas não
tive acesso as peças de imediato.
Popoldokiss: Eu já tinha visto fotos e tal.
Conheci um cara na convenção que me mostrou e acabamos
fazendo na minha testa e achei interessante a técnica e o
resultado.
Ricardo Depiné: Conheci a técnica
através de sites gringos, se não me engano foi no
site do Steve Haworth (http://www.stevehaworth.com/wordpress/) que
li sobre o assunto pela primeira vez. Inicialmente ainda tratava-se
de um projeto de uma perfuração single-point, ou seja,
de um piercing que seria feito em apenas uma perfuração.
No começo, as primeiras jóias que foram desenvolvidas
eram parecidas com um nostril, onde a base ficava alojada sob a
pele e era introduzida através de uma pequena perfuração.
Eu mesmo fiz protótipo dessa jóia e coloquei no meu
ante-braço, onde ela ficou mais ou menos meio ano, mas nunca
cicatrizou completamente (foto em anexo). Acho que dai veio a origem
do nome "dermal anchor" (anchoring, ou âncora em
português), que depois veio a se tornar "microdermal",
pois a base da jóia era semelhante a um gancho, ou âncora
mesmo, que ficava "engatada" sob a pele.
Sick: Já tinha visto algumas fotos, mas
não tinha acesso as peças nem a técnica. Foi
quando fiz uma viagem ao Peru para participar de uma convenção.
Aprendi essa e outras técnicas com o espanhol, Nicolas Marin,
com quem trabalhei por 15 dias nessa viagem.
Valnei: Toda forma de manipulação
corporal me interessa, scar, implantes, suspensão e não
seria diferente o meu interesse por microdermal. Na verdade o micro
surgiu para me tirar do tédio e do marasmo do piercing básico,
porque não tinha mais o que fazer, mesma coisa sempre. O
micro entrou na minha vida e na de muitos profissionais como um
novo desafio, um novo aprendizado, estávamos tão avançados
(alguns, claro) e vivíamos discutindo, pesquisando e quebrando
a cabeça por uma pecinha tão pequena risos
Foi super interessante isso, uma nova invenção corporal.
Trabalhos
do profissional Gordex
3 – T. Angel: O microdermal tem a versatilidade de ser feito
com bisturi, agulha americana ou punch. Qual a forma que você
acha melhor de trabalhar?
Gordex: Geralmente uso agulha americana. Já
trabalhei com o punch também, mas prefiro trabalhar com agulha
americana mesmo, me adaptei melhor. Nunca trabalhei com bisturi
para a aplicação do microdermal.
Johnnes: Já utilizei as três técnicas.
Hoje trabalho com agulha americana 'dumping' e o 'strike' que é
feito com um punch.
Luciano Iritsu: Com bisturi nunca fiz. Comecei a fazer com punch
usando as mesmas técnicas do surface e atualmente estou preferindo
usar agulha americana.
Max: Pode parecer estranho, mas trabalho com cateter
14Ga.
Origami: Conheço as técnicas de “dumping”
e “strike”, a primeira com uso da agulha e a segunda
com o dermal punch, que já experimentei. Me adaptei muito
melhor com o uso da agulha americana na maioria das regiões
do corpo. Em raros casos recorro ao dermal punch.
Paulo Vitor: Dermal Punch.
Popoldokiss: Eu gosto de trabalhar com o bisturi.
Acho tão mais simples!
Ricardo Depiné: Já tive a oportunidade
de utilizar as 3 técnicas, e ambas apresentaram resultados
satisfatórios, porém, acredito que a melhor delas
seja aquela feita com dermal punch de 1,5mm de espessura. Não
considero essa a maneira mais prática e fácil, pelo
contrário, mas acho que é a maneira que apresenta
melhores resultados a longo prazo.
Sick: Eu só trabalho com punch. Além
de ser mais rápido, a dor é menor também. Com
punch demora de 1 a 2 minutos a aplicação de cada
peça. Com agulha americana, por exemplo, já vi pessoas
demorando 20 minutos.
Valnei: Eu trabalho com cateter e com punch, ainda
não testei com bisturi. Nossa, é muita a diferença
de trabalhar com punch e com cateter. O único problema com
o punch e o preço, super caro ainda e em alguns lugares simplesmente
não acho. Ai recorro ao cateter, se pudesse escolher, escolheria
só os punchs para trabalhar.
Acredito que o punch como não fica pressão, pelo corte
ser redondo, é bem mais fácil a pele encapsular e
com isso, uma melhor cicatrização.
4
– T. Angel: Sabemos que o processo de cicatrização
é variável de pessoa para pessoa. Mas, qual das técnicas
citadas acima causa menos dano ao corpo e é melhor para a
cicatrização?
Gordex: Na minha opinião, acho as duas cicatrizações
viáveis, mas ainda acho a cicatrização da agulha
americana melhor, pois não tem remoção de tecido,
ao contrário da do punch.
Johnnes: A utilização do punch é
menos traumática e facilita bastante na cicatrização.
Luciano Iritsu: Como eu disse, não posso
falar do bisturi porque nunca utilizei. Mas acho que a agulha pode
ser melhor que o punch porque não remove tecido e pode cicatrizar
mais rápido, mas tem que ser uma agulha de boa qualidade.
Max: Tenho trabalhado com o cateter e acho a cicatrização
excelente. Mas sempre ouço de colegas que quando usam o punch
o resultado é bem bacana também.
Origami: Na minha experiência tem sido a
do uso da agulha americana por não remover tecido e também
por achar que dentro dessa técnica, já encontrei o
meu melhor modo de aplicá-la. Porém outros piercers
podem ter melhor resultado com outro modo de fazer, é bem
relativo, isso envolve vários fatores que se levados em consideração
influência muito.
Paulo Vitor: Dermal Punch.
Popoldokiss: Bom, eu acho que o bisturi, porque o corte é
pequeno e fino, tem que saber fazer e num é de qualquer jeito
ou qualquer bisturi. Você não arranca pele e nem a
agride demais. Mas todas as técnicas são boas, vai
de quem está aplicando.
Ricardo Depiné: Creio que seja a técnica
feita utilizando o punch, pois o tecido do local onde ficará
acomodada a haste da jóia é removido completamente,
o que faz com que a pele ao redor da perfuração exerça
menos pressão no local. Essa pressão, na minha opinião,
é um dos principais fatores que levam a rejeição,
pois o corpo tende a formar uma fibrose no local perfurado, e se
esta fibrose não tiver espaço para se formar, ela
acabará empurrando a peça para fora.
Sick: Acredito que a que cause menos danos é
o punch mesmo. Por não ter corte lateral como nas agulhas.
Valnei: Uso o punch e o cateter como já
mencionei, mas sinceramente, não vi tanta diferença
na técnica para o processo de cicatrização,
e sim o cliente. Porque se for feito com qualquer uma das técnica,
for bem executada e o cliente não cuidar, já era.
Não importa como foi feito, o mais importante para mim é
o pós e o cliente é totalmente responsável
por isso.
Trabalhos do profissional
Johnnes
5
– T. Angel: O microdermal é o mesmo que dermal anchor?
Gordex: Apesar de serem muito parecidos, não
são a mesma coisa.
Johnnes: Não. O microdermal é a evolução
do dermal anchor e o formato da jóia é diferente.
Agora a estética de um único ponto é a mesma.
Nunca trabalhei com dermal anchor.
Luciano Iritsu: O microdermal é a evolução
do dermal anchor ou anchoring, pois as idéias são
as mesmas, mas as peças mudaram, tornando-se mais eficientes
e com uma melhor adaptação ao corpo.
Max: Considero o microdermal como uma evolução
do Dermal anchor
Origami: Sim, pra mim é. Ou não é?
risos
Paulo Vitor: Acredito que o princípio estético
e o processo do procedimento sim, mas no meu ponto de vista, são
coisas totalmente diferentes.
Popoldokiss: Bom, acho que muita gente inventa
muito nome pra muita coisa e quando você faz uma pesquisa,
acaba vendo o tanto de informação diferente uma da
outra que existe. Mas a estética dos 2 nomes citados acaba
sendo a mesma. Se você pensar no microdermal como a jóia
de base reta e na dermal anchor com o gancho. Mas é uma boa
pergunta, gostaria de ter conhecimento e informações
melhores sobre isso também... Como e de onde surgiu esses
nomes, pra causar menos confusão. risos
Ricardo Depiné: Na minha opinião,
não. Como já citei acima, creio que o nome microdermal
seja uma abreviação de "micro dermal anchoring".
Já o Dermal anchor em si (não o micro) era o nome
inicial daqueles implante transdermais criados pelo próprio
Steve, que além de serem maiores são introduzidos
sob a pele de uma maneira muito mais traumática, através
de uma pequena incisão por onde é colocada a base
da peça, fazendo com que a haste saia por uma perfuração
feita anteriormente com um punch.
Sick: São as mesmas coisas. O nome “microdermal”
ficou mais popular por ser mais fácil, eu acho. E acredito
que tenha surgido por que a peça é muito parecida
com a peça de transdermal, só que com medidas muito
menores.
Valnei: Acho que seria uma evolução,
porque o método é o mesmo, mas as peças mudaram
bastante.
6
– T. Angel: Seria o microdermal uma versão nova do
pocket piercing?
Gordex: Uma versão evoluída, que
não tem perigo de escapar a peça. risos
Johnnes: Se for comparar o lado estético,
acredito que sim. Em termos de cicatrização eles são
muito diferentes, o microdermal ganha! risos
Luciano Iritsu: Não, acho que é mais
próximo do transdermal ou mesmo o surface, pois o pocket
piercing tem peças diferente, com a base para fora, ao contrário
do microdermal.
Max: Enquanto o dermal anchor é um pocket
com um só orifício, o microdermal é o dermal
anchor mais bonitão. risos
Origami: Na verdade o microdermal por muitos é
considerado uma mistura de técnicas que envolvem o surface
piercing e a técnica de pocketing. Piercers que dominam essas
técnicas tem mais facilidade em aplicar microdermais.
Paulo Vitor: No meu ponto de vista não.
Popoldokiss: Não concordo com isso, o pocket
é bem diferente. Eu acho que é uma evolução
do piercing, de modo que você pode colocá-lo em vários
lugares do corpo e a base da peça fica dentro da pele e o
acessório para fora. Além disso, o fato que só
fica uma parte da peça pra fora, acabou aquela coisa de duas
bolinhas. O pocket é um anti-piercing... risos
Ricardo Depiné: Acredito que não,
pois o microdermal trata-se de uma perfuração "single-point",
ou seja, a base da jóia é alojada sob a pele através
de uma única perfuração. Já o poketing
considero que seja algo como um "piercing ao contrário"(risos),
onde ao invés da haste da jóia ficar alojada sob a
pele, são as extremidades que ficam, deixando a maior parte
da haste exposta. Creio que a nova versão do poketing piercing
seria mesmo o stapple piercing (stapple = grampo), pois os resultados
estéticos de ambos são praticamente os mesmos, todavia,
o formato da jóia e sua aplicação sejam um
pouco diferente.
Sick: Na verdade microdermal e pocketing são
coisas completamente diferentes. No pocketing é colocada
uma haste onde as extremidades ficam embaixo da pele. Acho que o
microdermal seria uma técnica mais segura e que está
substituindo o surface na verdade.
Valnei: Não. Acho bem diferentes as estéticas,
as formas como são feitas e como ficam na pele depois. Não
vejo ligação de um com o outro.
Trabalhos
do profissional Luciano Iritsu
7
– T. Angel: Quais as diferenças entre o transdermal
e o microdermal?
Gordex: O microdermal não agride tanto o
tecido onde a peça é aplicada. Quanto ao transdermal,
é necessário mais espaço para aplicação
da peça, por tanto, é necessário que descole
uma área maior de tecido. Sem falar que o risco do transdermal
ser expelido é maior.
Johnnes: Aplicação, formato da base
da jóia que é muito menor e cicatrização.
Luciano Iritsu: Técnicas diferentes na perfuração,
por exemplo, e tamanhos diferentes. O microdermal tem peças
bem menores.
Max: Tamanho, facilidade de aplicação,
e reversão. Com relação ao tamanho, um microdermal
caberia tranquilamente em um dos orifícios da base do transdermal.
risos. Isto influi bastante na hora da escolha do cliente (comum)
entre um e outro.
Como todos sabem, a aplicação de um transdermal é
semelhante a de um implante subcutâneo, e a do microdermal,
lembra mais a de um piercing básico, ou um surface. Enquanto
no transdermal, é necessário uma incisão a
uma certa distância do local onde a jóia será
acomodada, “descolar a pele”, entre os dois pontos,
a feitura de um orifício por onde a parte externa da jóia
passará, e depois suturar o local onde a incisão foi
feita...O microdermal, basta um orifício, e a parte da pele
que terá que ser descolada, é bem menor.
Mas são duas coisas diferentes, com resultado estético
diferente também.
Origami: O transdermal é feito em outras
proporções, por isso carece de anestesia, incisão
e uso de dermal punch. O microdermal anchoring é como um
“micro transdermal”, por assim dizer, não é
necessário tanto.
Paulo Vitor: Transdermal é um procedimento
muito mais invasivo, o microdermal é mais superficial, de
calibre menor e muito menos invasivo.
Popoldokiss: O transdermal fica em camadas mais
abaixo da pele, não sendo tão superficial e o microdermal
fica superficial. Transdermal é legal! risos
Ricardo Depiné: Já falei um pouco
sobre isso acima. São duas coisas completamente diferentes,
apesar da semelhança que possam apresentar depois de prontas
(a não ser pelo tamanho das peças). O microdermal
é aplicado através de uma pequena perfuração,
já o trasdermal é aplicado através de uma incisão,
a pele abaixo do local que acomodará a base da peça
é descolada e necessita-se de sutura. Ou seja, o transdermal
é mais semelhante a um implante mesmo subdermal mesmo, porém
com uma parte aparente.
Sick: Basicamente o tamanho. Pois as peças
são bem parecidas e o resultado é o mesmo. O que muda
também é a aplicação. No microdermal
é feito apenas um furo na pele e encaixada a jóia,
no transdermal precisa ser feita uma incisão e depois o punch
pra colocar a jóia.
Valnei: Transdermal a peça é bem
maior, tem que ser colocada através de um corte, receber
pontos, demora muito tempo para cicatrizar, as vezes, quase nunca
cicatriza. É bem diferente e bem mais complicado o método.
Envolve anestesia, punchs de maior calibre, descolar a pele num
espaço bem maior, suturas e etc.
Micro é uma maravilha, apenas um corte, uma descoladinha
e já esta no lugar, super simples de se fazer e de se cuidar.
8
– T. Angel: Dizem que o microdermal pode ser feito em qualquer
parte do corpo. Existe alguma restrição?
Gordex: Como sempre, um profissional sensato não
vai aplicar a peça em um setor de articulação,
ou em setores que sofrem mais atrito e tem riscos de remover a peça,
por exemplo, o cotovelo, juntas de falanges...
Johnnes: Eu evito fazer em lugares que vão
ocorrer atritos constantemente.
Luciano Iritsu: É como o surface, restrito
só em lugares com articulações.
Max: Prefiro aplicá-los em áreas
o mais planas possível, em que a pele não se movimente
demais.
Origami: Em quase todas as partes do corpo que
estão relacionadas à superfície da pele. As
restrições vão de acordo com o bom senso de
cada um, por haver lugares que só de olhar já se sabe
que não vai se obter um resultado satisfatório, ou
seja, uma cicatrização total da região. Além
disso, o risco de causar danos irreversíveis ao local escolhido.
Paulo Vitor: Eu acredito que qualquer tipo de procedimento
pode ser feito em qualquer parte do corpo, mas, isso não
quer dizer que o resultado seja satisfatório.
No caso do microdermal procuro fugir sempre de locais com pouca
gordura e muita articulação.
Popoldokiss: Eu não concordo que em qualquer
parte do corpo, acho que locais como perna, coxa, joelho, nádegas,
quadril, pé, enfim locais que podem trombar ou sofrer fricção
com muita facilidade não sejam uma boa.
Ricardo Depiné: Eu acredito que pode ser
feito em qualquer parte do corpo sim, porém, a permanência
da jóia a longo prazo depende muito do local e da espessura
da pele onde ele será aplicado. Partes do corpo que apresentem
muita movimentação, por exemplo, podem facilitar um
processo de rejeição (como ombros, dedos, etc...).
Assim como o surface piercing, acredito que o microdermal se acomode
melhor em locais onde tenha uma capa de gordura mais espessa (que
será onde ficará acomodada a base da jóia).
Quanto menos gordura no local (ou seja, quanto mais fina a pele)
mais fácil de ocorrerem rejeições. Além
disso, locais que ofereçam muito atrito com outras partes
do corpo ou até mesmo das roupas com a peça também
dificultam a permanência da jóia (cintura, hip, etc...).
Acredito que os melhores resultados são obtidos em regiões
de anatomia mais plana.
Sick: Quase qualquer lugar na verdade. Deve se
evitar regiões de articulação, como em qualquer
outro tipo de perfuração.
Valnei: Não trabalho em área de articulação,
como perto de pulsos e etc.
Trabalhos
do profissional Max  |
|
9
– T. Angel: Quais os riscos que o microdermal oferece?
Gordex: Microdermal assim como qualquer outra modificação,
tem o risco de inflamações, da peça ser expelida,
mas isso no caso de má aplicado ou não tendo os cuidados
certos no período de cicatrização.
Johnnes: O mesmo de um piercing comum.
Luciano Iritsu: Como os outros piercings, nenhum.
Quando seguidos todos os cuidados e assepsia.
Max: Praticamente os mesmos de um piercing: infecção,
expulsão, quelóides...
Mas assim como os piercings básicos, estes riscos podem ser
evitados com cuidados da parte do perfurador e do cliente.
Origami: Como quase todos os piercings existem
riscos, porém, em alguns maior ou menor porcentagem de não
haver uma boa cicatrização. Os microdermais oferecem
menos riscos do que perfurações mais comuns, sua limpeza
é fácil e cicatrização bem tranqüila.
Paulo Vitor: Desde que feito com um bom profissional
e tendo uma boa higienização, os riscos são
basicamente os mesmos de um piercing tradicional.
Popoldokiss: Como qualquer modificação
que não é feita corretamente e, também não
tendo os cuidados corretos, pode dar inflamações e
infecções. Mas também pode entrar
dentro da pele, pode machucar com muita facilidade por trombar,
pode sair facilmente do corpo se não cuidar. Já vi
e já aconteceu comigo algumas vezes casos dele expelir como
se nada fosse. O corpo tem a tendência de não aceitar
corpos estranhos, por isso pode haver rejeição. Acho
que nada fora do comum. Se cuidar dá tudo certo!
Ricardo Depiné: Acho que quando feito de
maneira correta e respeitando a anatomia do local, o único
risco oferecido por este tipo de perfuração é
de uma rejeição, que pode vir a causar uma pequena
cicatriz no local.
Sick: O único risco de um microdermal é
a infecção. Por material não esterelizado ou
falta de cuidado do cliente. E em alguns casos, o corpo pode expelir
a peça.
Valnei: Se o cliente cuidar, não vejo risco
algum. Como qualquer outro piercing é um corpo estranho no
corpo, se não cuidar bem, o corpo vai jogar para fora, vai
expelir.
Mas tendo consciência e cuidado, não vejo risco nenhum.
10.
T. Angel: É uma técnica reversível facilmente?
Quais as sequelas?
Gordex: Totalmente reversível. E as seqüelas
são pequenas, um pontinho de cicatriz, igual ao do piercing.
Johnnes: Sim, quase não fica nenhuma marca
depois de removido.
Luciano Iritsu: È sim, e as seqüelas
são pequenas, comparadas com perfurações de
piercings, pois no microdermal há apenas uma perfuração,
tendo menos riscos de entrar bactérias, diferentemente dos
piercings.
Max: Sim, a remoção é simples
e rápida, e pode deixar uma pequena cicatriz. Nada de muito
relevante.
Origami: A remoção de um microdermal
é muito simples e não deixa mais do que uma marca
similar a de um cravo.
Paulo Vitor: É uma técnica reversível
facilmente deixando no máximo uma pequena cicatriz.
Popoldokiss: Não é simples retirar
o microdermal, pode até ser dependendo do local e da cicatrização
da pessoa, mais num é como um piercing tradicional que você
retira da perfuração e pronto. Pode sim ficar cicatrizes,
pequenas mas ficam, depende de cada um.
Ricardo Depiné: Depende do modelo de jóia
que é utilizada. Existem umas peças com a base sólida,
sem perfurações, que são removidas com mais
facilidade. Já as tradicionais, ou seja, aquelas que tem
uma base com pequenos furos são um pouco mais complicadas
de serem removidas, pois estes furos existem justamente para ajudar
na fixação da base da jóia sob a pele. Ao redor
destes pequenos furos se formam as fibroses (engrossamento da cicatriz)
que seguram a jóia no local, dificultando que ela saia com
facilidade. Neste caso a remoção só pode ser
feita através de uma pequena incisão que possibilite
o descolamento da jóia da pele fibrosada. Normalmente essa
remoção costuma deixar pequenas cicatrizes, porém
a intensidade dessas cicatrizes variam muito de pessoa para pessoa,
e não é nada muito maior do que a marca deixada por
um piercing básico que não cicatrize perfeitamente.
Sick: É reversível sim, quase todo
tipo de modificação é. A única coisa
que vai ficar é uma cicatriz, isso é inevitável.
Valnei: A sequela é a de apenas um ponto
quase imperceptível na pele e sendo feito e retirado por
um bom profissional é uma técnica super fácil,
tanto para por como para retirar.
Trabalhos
do profissional Origami
11
– T. Angel: O Brasil produz todo material para execução
do microdermal ou é preciso importar?
Gordex: Como sempre o Brasil é muito carente
no quesito material, até então, temos que importar/comprar
todo o material de países vizinhos.
Johnnes: Não. A jóia que é
o principal você só encontra na mão de alguns
profissionais ou importando. O punch e a agulha você até
encontra aqui no Brasil, mais com o valor maior comparado com o
importado, que tem a qualidade melhor.
Luciano Iritsu: Ainda é preciso importar,
pelo menos a base que não é feita no Brasil.
Max: Até o momento só tive contato
com materiais importados.
Origami: Se produz eu não conheço,
mesmo assim prefiro trabalhar com as jóias que importei ,
principalmente por ter me adequado ao seu formato, espessura e material.
Trabalho com microdermal em titanium G23, com a parte externa em
aço 316 ou titanium.
Paulo Vitor: Normalmente trabalho com material
importado, mas, no Brasil existe alguém muito bom que produz
peças e instrumentos.
Popoldokiss: Bom, eu sinceramente não conheço
uma empresa nacional que faça esse trabalho, eu costumo importar.
Ricardo Depiné: Acho que ainda não
existe nenhuma fábrica nacional que produza este tipo de
jóia. Caso aja, eu desconheço. Todas as peças
que utilizei até hoje foram importadas, de diferentes fornecedores.
Além das peças em si, os punchs de biópsia
utilizados também são difíceis de encontrar
por aqui (pelo menos para mim que moro em Santa Catarina). Costumo
importá-los também.
Sick: Até o momento não sei de ninguém
que fabrique essas peças no brasil. Todas as peças
acredito que são importadas. As que eu uso são.
Valnei: Tudo importado. O grande problema são
as peças MADE IN CHINA que invadiram o mercado de piercing.
12
– T. Angel: Já existe algum artista brasileiro se destacando
nessa área?
Gordex: Valnei, Paulo Vitor, Max Maluko e Rafa
Gnomo.
Johnnes: Por ser uma modalidade “nova”
acredito que não.
Luciano Iritsu: Acho que não, ainda estamos
aprendendo e aperfeiçoando.
Max: Os caras que sempre tenho visto, são
Johnnes Diaz, Gordex, Paulo.Vitor, Valnei (que foi uma das pessoas
que mais colaborou comigo com técnicas).
Origami: Jhonnes BodyArt (Salvador – BA),
o Depiné (Jaraguá do Sul – SC) e o Luciano Iritsu
(São Paulo –SP).
Paulo Vitor: Acredito que no Brasil não
há tanto destaque nessa área por ser ainda pouco difundida
aqui e por ser pouco difundida não é qualquer um que
se mete a fazer ou tem acesso ao microdermal, então acho
isso um ponto positivo.
Popoldokiss: Na minha opinião a clinica
Crazy Body Piercing, que conta com os profissionais Crazy, Carol
e Ricardo. Se destacam bem, eles fazem bastante por lá.
Ricardo Depiné: Como sou do sul, por aqui
essas novas técnicas ainda são pouco difundidas. Da
minha região eu destacaria alguns profissionais que já
trabalham com esta técnica a algum tempo e sempre estão
atrás das novidades, que são a Fernanda (atualmente
trabalhando no estúdio Dermografite em Balneário Camboriú)
e Maga (do Maga Tattoo Clinic, de Joinville, SC.). Acredito que
nos grandes centros como São Paulo com certeza existam profissionais
se destacando, porém como não tenho mantido muito
contato com este pessoal atualmente, seria injusto citar alguém
sem saber como estão os níveis de seus trabalhos.
Sick: É uma técnica relativamente
nova no Brasil. Acho difícil alguém se destacar nesse
seguimento da modificação já que é uma
coisa limitada, não existe muita possibilidade de personalização.
E o maior problema é que tem muito curioso fazendo sem conhecer
a técnica correta. Difícil falar de algum profissional.
Valnei: Como falei, é algo simples de ser
feito, não acho que teria algum tipo de dificuldade para
se ter algum destaque nessa área. Quem me impressiona muito
é o Johnnes de Salvador, ele faz muitos micros. É
bem bacana isso.
Trabalhos
do profissional Paulo Vitor
13
– T. Angel: O microdermal seria considerado uma modificação
extrema? Justifique sua resposta.
Gordex: Não. Porque ele sendo uma peça
pequena, de fácil aplicação e reversível,
não se torna uma modificação extrema.
Johnnes: Na minha opinião o microdermal
tem a simplicidade e a segurança de um piercing.
Luciano Iritsu: Penso que não, pois é
agressivo pra quem vê e ouve como é feito, mas pra
pessoa que recebe é igual a perfuração do piercing
ou as vezes até menos. E também não existe
uma mudança tão brusca na pele. Eu chamo de piercing
do futuro. risos
Max: Não. Acho que o micro ainda tem muito
o que se popularizar, embora seja um “implante”, sua
aplicação é muito tranqüila. E não
causa tanta estranheza quanto, por exemplo, um implante subcutâneo
ou uma remoção de falange. risos
Origami: Não, modificações
corporais extremas na sua maioria são irreversíveis.
Paulo Vitor: No meu ponto de vista não,
é muito pouco invasiva e nada agressiva visualmente. Eu acho
muito difícil classificar o que é extremo ou não,
julgo muito pelo padrão estético, as vezes o que parece
extremo pra um pode não parecer pra outros.
Popoldokiss: Acho que depende da quantidade que
você colocar, mas extrema, acho que não. Como encher
o rosto, fazer figuras, isso é legal, mais extrema é
uma palavra muito forte.
Ricardo Depiné: Claro que não. Trata-se
de um piercing um pouco mais avançado, porém não
tem nada de extremo, pois não altera nem modifica radicalmente
nenhuma parte do corpo. Ao contrário, serve apenas como um
adereço puramente estético.
Sick: Não acho que seja extremo. Na verdade
é muito mais simples e delicado que muitos piercings. Tem
aumentado a procura por pessoas que não tem nada no corpo,
e na sua primeira perfuração, querem microdermal.
Valnei: De forma alguma. Tanto visualmente como
a forma de ser feito eu acho super tranquilo.
14
– T. Angel: Retomando uma pergunta que fizemos para os body
piercers, as convenções de tatuagem que temos nacionalmente,
dizem serem voltadas para o body piercing também, no entanto,
não vejo algo realmente concreto e uma ação
dos piercers. Como é isso para você?
Gordex: Na minha opinião deveria sim ter
uma procura maior. Mas aqui não temos um valor merecido como
o dos tatuadores brasileiros. Mas, graças à Frrrkcon
estamos ganhando um respeito e aumentando nosso espaço. Espero
que continue assim, e que no futuro tenhamos o reconhecimento que
merecemos.
Johnnes: Tem que ter mais profissionais envolvido
e trabalhando nas convenções.
Luciano Iritsu: Mas as convenções
de tattoo são voltadas para os profissionais do piercing
também, só que em importâncias menores. Os organizadores
de convenções são na maioria tatuadores e acho
que eles deixam um espaço bacana para o pessoal de arte/modificação
corporal, mas quem apóia mais esse tipo de trabalho são
convencões de fora de SP. Por exemplo, dei uma palestra em
Vitória-ES e Porto Alegre-RS, fiz duas suspensões
em Salvador-BA, fiz uma scar em Porto Alegre e em Florianópolis-SC
estive lá como jurado de piercing. Mas aqui em São
Paulo o pessoal anda um pouco “careta” e acho que falta
informação correta sobre isso e acho que podemos conversar
mais e mostrar que a arte/modificação corporal não
é apenas um bando de gente que “pendura, corta e coloca
coisas dentro dos outros”. Só nós podemos mudar
a idéia que a sociedade e mesmo as pessoas mais próximas
tem da gente.
Max: Acho bem vindo tudo o que é voltado
para nossa atividade. Mas sinto falta de eventos onde role troca
de informações e uma visão séria sobre
nossa arte.
Origami: Não há espaço para
os piercers em convenções, por isso me restrinjo a
poucas no Brasil e geralmente vou para encontrar amigos, os quais
posso trocar informações e conhecer um pouco a cidade
na qual eu vou. A convenção é só pretexto
para que eu viaje. risos
Paulo Vitor: Não vou dizer que não
costumo ir à convenções, porque é uma
ótima oportunidade de rever amigos distantes, mas acredito
que convenções como essas que acontecem no Brasil
não são interessantes para isso. Acredito que eventos
mais reservados e específicos como a Conscar, por exemplo,
são mais interessantes.
Popoldokiss: Eu concordo com isso. Mas para os
piercers esses tipos de convenções de tatuagens são
mais para troca de contato e compra de material. Acho interessante
o fato de haver também feiras e eventos, como as que vocês
mesmo fazem, onde o público alvo é quem gosta e quem
tem a curiosidade e vontade de conhecer. A respeito de como isso
é pra mim, bom seria legal se tentassem fazer alguma coisa
pra divulgar mais a modificação corporal e conscientizar
quem tem interesse em aprender, os que tem interesse em modificar
seus corpos e, os que já sabem. Tem muita informação
mal dada por aí e cultura é sempre bom.
Ricardo Depiné: Acredito que as convenções
são uma boa forma de se trocar informações
e conhecer pessoas e profissionais das mais diferentes partes do
mundo, porém, acho que elas estão mais voltadas para
o público em geral hoje em dia, e não para os profissionais.
Censuram muitas coisas, fazem muitas restrições sempre
pensando no público que visitará o evento e não
nos profissionais participantes. Não sinto a menor vontade
de participar das convenções da maneira que elas ocorrem
atualmente, pois não gosto de ser e nem de ver os demais
profissionais da mesma área que eu sendo tratados como atração
de circo. Creio que eventos feitos de profissionais para profissionais
seja algo muito mais interessante e produtivo para todos. Claro
que os eventos que ocorrem atualmente são bem vindos, pois
ajudam cada vez mais a diminuir o preconceito que ainda existe em
relação a estas práticas.
Sick: Como eu disse em relação ao
microdermal, no piercing também é difícil alguém
se destacar, é difícil avaliar se uma perfuração
foi bem feita ou não. Porque muitas vezes está reto,
mas as consequências de um piercing feito errado não
aparecem na hora. É compreensível que o piercing não
receba tanta atenção como a tatuagem. Agora o que
eu acho que falta, é uma atenção maior para
outras modificações. Existem muitos profissionais
que se destacam no Brasil e até no exterior fazendo suspensão,
escarificação, implantes e etc.
Valnei: Ah cara, de boa, nem me importo com muitas
coisas hoje em dia. Comecei sozinho lá em Recife, tive uma
porrada de dificuldades, que ainda estou tendo, batalhando até
hoje pelo meu lugar ao sol. Todas as convençõe que
participei foram apenas divertidas, nas não mudaram nada
para mim e nem minha vida profissional.
Realmente não me importo com isso, de ter mais espaco. Até
porque o pouco espaço que o piercing ganhou na mídia,
o pouco espaço que ele teve, foi na verdade um tiro no meu
pé. Porque cada vez que o piercing teve mais destaque, mais
surgiram pessoas se aproveitando, pessoas literalmente sem futuro
que viram no piercing uma maneira de grana fácil. Falo isso
desde pessoas que viraram pseudo-profissionais até de gente
que viraram RESPEITADOS distribuidores de materiais.
Trabalhos
do profissional Popoldokiss
15
– T. Angel: Comente a cena brasileira da modificação
corporal:
Gordex: O Brasil tem ótimos profissionais
na área, mas ainda não reconhecidos aqui, somente
lá fora. Infelizmente no nosso meio temos muitos oportunistas,
assim como em qualquer outra profissão. Hoje em dia se acha
um “piercer” em qualquer esquina, que faz o trabalho
somente pelo dinheiro, achando que piercing é apenas “furar”
as pessoas. Sem estudos e sem cultura, leigos, oportunistas, que
não procuram estudar fisiologia da pele, biosegurança,
primeiros socorros, etc...
Johnnes: Poucos profissionais tendo que se virar
pra ter que divulgar seu trabalho aqui e fora do Brasil. A constante
luta de sites, blogs, fotologs, eventos como a Conscar e a Frrrkcon
que não perdem a força e contínua fazendo diferença
na “cena” brasileira.
Luciano Iritsu: As pessoas falam muito e fazem
pouco aqui no Brasil, os profissionais e mesmo as pessoas que gostam
de arte/modificação corporal, parecem que estão
mais preocupados no que o outro faz do que estudar, conversar e
participar mais sobre as coisas relacionadas a essa arte. Ficam
querendo arrumar intrigas e picuinhas uns aos outros, acho que o
Brasil tem tudo pra ser uma potência na Arte/modificação
corporal, mas somos muito imaturos e egoístas, porque aprendemos
desde criança que é cada um por si. Mas ainda acredito
na evolução.
Max: O que tenho acompanhado no Brasil, são
grandes nomes se destacando no cenário mundial, tanto em
técnicas quanto em material. Mas também tem muita
gente que não se dá conta de que o lance ainda está
começando e tem muita coisa pra aprender. Se a galera nova
(e a antiga também, por quê não?) se preocupasse
menos em aparecer e mais em ir atrás de informação,
teríamos uma cena muito mais limpa e séria.
Origami: Minha resposta pode ser muito subjetiva
pelo fato de ter uma visão restrita a minha região
( Nordeste). Portanto, não tenho uma opinião na qual
possa generalizar, porém, vejo com bons olhos . Aos poucos
a mente das pessoas está mudando e compreendendo a modificação
corporal.
Paulo Vitor: Ultimamente estive fora do Brasil
junto a Valnei e Max e realmente pudemos constatar que a cena no
Brasil é forte quanto ao numero de pessoas que se interessam
ou carregam algum tipo de modificação no seu corpo.
Acredito que o maior problema no Brasil são os “profissionais”
que tem o ego do tamanho de um trem, mas na hora de fazer o que
ele diz ser o “melhor” ele vai e faz merda.
Popoldokiss: Acho que está crescendo cada
dia mais e os profissionais estão mandando muito bem. Mas
também acho que falta muito material de estudo, que em outros
cantos do mundo você tem mais fácil acesso. E também
tá precisando peneirar um pouco a coisa.
Ricardo Depiné: Acho que ainda existe muito
preconceito em relação a modificação
corporal nos dias de hoje, pelo simples fato de ser algo que fuja
do senso comum da maioria da sociedade, e infelizmente todas as
minorias geralmente sofrem algum tipo de preconceito ou discriminação.
Além disso, quem é "diferente" da maioria
costuma se destacar, e quem se destaca acaba criando inveja em quem
não tem nada de interessante para oferecer (não só
esteticamente falando). Quando as pessoas aprenderem a respeitar
a opinião individual de cada um e deixarem de julgar as pessoas
somente pela aparência com certeza o mundo será um
lugar muito mais agradável de se viver!
Sick: Bom, o que vem acontecendo no Brasil de alguns
anos pra cá é uma verdadeira zona, principalmente
quando o assunto é modificação corporal. Apareceram
ótimos profissionais, mas junto com eles apareceram “curiosos”.
Na minha opinião, isso é culpa dos profissionais mais
antigos que criaram suas cobras em troca de alguns reais, confundindo
workshop com cursos de modificação. Distribuindo certificados
sem validade e “formando” pessoas sem conhecimento e
técnica. Isso acontece também com profissionais de
outros países que vem fazer o mesmo aqui. São poucos
os profissionais que se preocupam em mostrar um trabalho bem feito,
que estudam pra oferecer o melhor para o cliente, que se atualizam.
Virou um circulo vicioso. A pessoa faz um curso de piercing de 20h,
6 meses depois essa mesma pessoa está dando o mesmo curso,
e assim vai, formando cada vez mais profissionais sem preparo. Uma
outra coisa horrível no Brasil, é alguns profissionais
pensarem que trabalhar com isso é algum tipo de “coisa
do outro mundo” e faz dele melhor que outra pessoa. Vivem
aparecendo em canais de televisão, revistas, jornais, mas
e os trabalhos? Alguém já procurou saber de como essas
pessoas trabalham? Pode procurar, tem muita coisa errada por ai.
Muito procedimento feito de qualquer jeito, e muitos causando problemas
sérios de saúde. Como em qualquer outro trabalho,
na modificação corporal a pessoa tem que se preocupar
em fazer um trabalho bem feito, e não onde sua carinha modificada
vai aparecer da próxima vez. Viver de aparência é
fácil, quero ver mostrar trabalho!
Mas como eu disse antes, ainda existe meia dúzia de profissionais
no Brasil que se preocupam com o bem estar do cliente e em oferecer
sempre o melhor serviço. E que não trabalham com isso
só para aparecer ou por dinheiro.
Valnei: Viajei bastante esse ano para outros países
e posso falar por experiência própria, BRASIL É
FODA!!!! FODA, FODA, FODA!!!!
Depois que comecei a viajar para outros países, vi o quanto
estamos adiantados em modificações, embora com toda
falta de material e dificuldade que temos, essa nova geração
de piercers e modificadores são incríveis
16
– T. Angel: Qual a forma que você se atualiza sobre
técnicas, instrumentos e métodos de trabalho?
Gordex: Sempre mantenho contato com amigos e profissionais
como médicos, biólogos e profissionais da minha área
também. Sempre marco reuniões com profissionais e
amigos para nos atualizarmos e dividirmos informações
sobre as coisas que aparecem e crescem em nossa área. Marcamos
palestras, grupos de debate, workshops.
Johnnes: Pesquisando na internet, lendo e amigos
de trabalho.
Luciano Iritsu: Lendo, trocando idéias com
os profissionais por meio de internet, participando de todos os
eventos relacionados à arte que julgo importantes.
Max: Estou sempre trocando idéias com outros
profissionais, não só piercers, mas também
de outras áreas. Faço o máximo de cursos e
workshops possíveis. Agora mesmo, acabo de chegar de um workshop
na Argentina e, uma jornada de suspensões na Argentina e
no Uruguai, acompanhando o Valnei e outros nomes importantes na
modificação. Nesta oportunidade procurei aprender
o máximo com cada profissional lá.
Origami: Minha pesquisa consiste em usar todo tipo
de informação, desde livros, internet e audiovisual.
Além disso, a troca de informações por parte
de colegas profissionais e filtrar usando o bom senso e conhecimento
já adquirido para formar meus próprios conceitos dentro
disso tudo.
Paulo Vitor: Procuro sempre estar trocando informações,
viajando e trabalhando com outros profissionais.
Popoldokiss: Bom, eu tenho o costume de ser fução.
risos
Então quando coloco na minha cabeça eu vou atrás.
Costumo conversar com aqueles que tenho mais contatos e trocar figurinhas.
Pesquisar também, me manter atualizado pela internet quando
algo me deixa interessado. Tenho vontade de sair do país
para aprender mais e trazer mais. Cultura é de graça
e é tão legal adquiri-la. Basta ser curioso e ter
força de vontade. risos
Ricardo Depiné: Costumo trocar informações
com outros profissionais sempre que possível, seja através
de eventos, visitas, viagens ou pela internet. Sempre que tenho
alguma dúvida, procuro alguém mais experiente que
possa me ajudar e não tenho a menor vergonha em pedir informações
e esclarecimentos. Sempre que possível, participo de workshops
e eventos que julgo serem interessantes, mesmo que sejam sobre algo
que já esteja familiarizado. Sempre pode se absorver algo
de novo quando se trocam experiências. Outra coisa que ajuda
bastante são os blogs que mantenho (www.by-depine.blogspot.com
e www.evolutionbody.blogspot.com), pois volta e meia aparecem pessoas
tirando dúvidas e pedindo maiores esclarecimentos sobre algo
novo, e isso me faz correr atrás destas informações.
Acho essencial também manter contato com profissionais das
mais diversas áreas de saúde (médicos, dentistas,
etc...), e como tenho bastantes amigos atuando nessas áreas,
costumo tirar muitas dúvidas com eles.
Sick: O único jeito de se atualizar é
trocando informação com outros profissionais. Tenho
contatos com vários profissionais do mundo todo, alguns já
bem conhecidos. Batendo papo você acaba vendo que o jeito
que a pessoa faz determinada coisa é melhor do que o jeito
que você faz, e vice-versa.
Valnei:
Internet, reuniões de amigos e algumas coisas na prática
mesmo. Faz tempo que estou na estrada fazendo suspensão.
Minhas viagens são como uma grande faculdade para mim, porque
tenho a chance de me encontrar e ver profissionais trabalhando em
quase todo o Brasil e por alguns países que eu passei.
Se você se permite a aprender mais, vai aprender com toda
certeza. Me encontro com pessoas que trabalham anos com piercing,
só fazem porcarias e ainda se acham pop stars. Gente humilde
sempre vai aprender de uma forma ou de outra.
Trabalhos
do profissional Ricardo Depiné
17
– T. Angel: Qual o preço médio de um microdermal?
Gordex: Em torno de R$ 120,00.
Johnnes: Entre R$ 120,00 e R$ 150,00, variando
o valor pela peça de cima da jóia.
Luciano Iritsu: R$ 150,00
Max: No meu estúdio o preço é
R$ 150,00. Sou o único da minha região trabalhando
com isto até agora e não sei qual o preço que
colegas de outros lugares tem praticado.
Origami: No meu estúdio custa de R$ 100,00
a R$ 200,00. O valor varia de acordo com o modelo da jóia
e região onde vai ser aplicada.
Paulo Vitor: Comigo varia de R$ 130,00 a R$ 200,00.
Popoldokiss: Eu cobro em média R$ 100,00
depende da jóia. Acho que não pode desvalorizar porque
não é uma coisa tão simples. Na verdade nada
na modificação é simples, só pra quem
é desinformado e desinteressado.Tudo é complexo, tem
que ser bem estudado, analisado e feito com responsabilidade.
Ricardo Depiné: Atualmente trabalho com
peças em titânio e aço cirúrgico 316L,
e os valores variam de R$ 80,00 a R$ 150,00 em média.
Sick: Antes ou depois de virar bagunça?
risos
Eu cobro em média R$ 100,00 a R$ 120,00 por aplicação.
Mas já sei de gente fazendo por ai a 50 reais. Isso que eu
chamo de desespero pra trabalhar, 50 reais quase não paga
o material utilizado.
Valnei: Bom, eu, Luciano, Sick e mais algumas pessoas
que não me lembro agora, falamos que iríamos fazer
por 120 reais e que é um preço justo. Agora já
to sabendo de gente fazendo por 50 reais, 40 reais, que não
paga nem o material. Sinceramente, acho que o microdermal nem nasceu
e já tá morrendo no Brasil, porque já começou
a baixaria de quem paga menos. Eu faço por R$ 120,00, o cara
para ganhar meu cliente vai fazer por R$ 80,00, o outro para ganhar
o cliente do outro vai cobrar 60, outro 50 e assim vai indo essa
bola de neve idiota e sem controle, como foi o caso do piercing.
18 – T. Angel: A procura tem sido boa?
Gordex: A procura ainda é pequena, por ser
um trabalho não muito divulgado.
Johnnes: Ainda não! Estou sem carro... risos
Luciano Iritsu: A procura vem aumentando devido
as pessoas que estão conhecendo mais este tipo de perfuração.
Max: Muitas pessoas se interessam, mas ainda tem
muito a ser divulgado e evoluir.
Origami: Sim, como na minha cidade só existem
dois profissionais que fazem, eu e o outro está viajando,
tenho feito sempre.
Paulo Vitor: Relativamente boa.
Popoldokiss: Ainda não tanto quanto o piercing.
As vezes por falta de divulgação minha mesmo.
Ricardo Depiné: Está aumentando a
cada dia, até mesmo porque não se trata de algo tão
comum ainda. Atualmente quem procura este tipo de piercing são
pessoas que entendem um pouco do assunto, e não o público
em geral. Ou seja, pelo menos por aqui ainda não se tornou
algo comercial. Só espero que se caso isso venha a acontecer,
não comecem a vender essas "peças" em lojinhas
de bijuterias como fazem atualmente com jóias para body piercing.
Sick: Tem aumentado de algum tempo pra cá.
O único problema é que com o aumento da procura, aumenta
também o numero de curiosos querendo ganhar um trocado.
Valnei: A procura é ótima até eu falar o valor
e a pessoa falar: Ah! Vou fazer com o fulano porque ele faz mais
barato. Nem nasceu e já foderam o mercado com preços
baratos, jóias vagabundas e oportunistas de plantão.
Mostruário
de peças de microdermais e trabalhos do profissional Sick
19
– T. Angel: Por ser uma técnica relativamente nova,
quais seriam as principais dificuldades para você?
Gordex: No começo tive dificuldade em encontrar
profissionais que pudessem me ensinar as técnicas com o microdermal.
Mas com a ajuda dos profissionais que citei a pouco, hoje sou uma
pessoa qualificada para o serviço
Johnnes: Aceitação em um “mercado”
justo aqui no Brasil.
Luciano Iritsu: Acho que a duração
desse tipo de perfuração, pois ainda é muito
novo quando comparado com o piercing.
Max: No início foi conseguir informações
a respeito da técnica, e peças de boa qualidade. Hoje
a maior, não diria dificuldade, é popularizar esta
técnica.
Origami: A maior dificuldade hoje é encontrar
instrumental e jóias para que possa trabalhar. Não
conheço fabricante e distribuidores para as jóias
que trabalho.
Paulo Vitor: Sinceramente acredito que para todos
que trabalham com microdermal não há nenhuma dificuldade.
Popoldokiss: Arrumar as peças, de diferentes
modelos e atingir o público que fica assustado quando você
diz que é preso na pele mesmo. risos
Ricardo Depiné: Atualmente a maior dificuldade
é o alto custo das mercadorias, pois como já foi comentado
anteriormente, são todas importadas. Isso impossibilita que
se pratique um valor mais acessível, o que dificulta a popularização
da técnica. Sick: Sinto muita dificuldade ainda pra saber
como pode ser feito melhor a aplicação em cada região
do corpo. Senti uma diferença absurda de aplicação
do braço para o pescoço, para o dedo. Cada região
é de um jeito e fica mais fácil ou mais difícil.
Mas são “macetes” que se aprende com o tempo.
Valnei: A altura da peça, isso foi foda
no começo, porque as peças no Brasil tem altura de
02 mm e alguns lugares do corpo necessitam 03 mm e por ai vai. Ai
vem a humildade de perguntar para outros profissionais como eles
trabalham e aprender com eles.
20 – T. Angel: Deixe algum comentário que considere
pertinente:
Gordex: Recomendo a todos que apreciam a body modification,
procurarem profissionais qualificados, indicações
de amigos de confiança e que também tenham feito algum
trabalho com tais profissionais. Sempre analisar o portfólio
do profissional, minuciosamente. Ter certeza de que o local de trabalho
do profissional é qualificado para o procedimento, vendo
se seus materiais estão estéreis, se o local tem uma
ótima assepsia... Agradeço ao Frrrk Guys pela oportunidade
de divulgar o meu e o trabalho dos profissionais da área
da modificação corporal no Brasil. Abraço a
todos!
Johnnes: Diversidade de coisas que se sucedem para
o bem ou mal. Pois cada um pensa antes de mais nada em “si
próprio”.
Luciano Iritsu: Microdermal, o piercing do futuro!
Max: Uma conclusão que tiramos durante o
workshop na Argentina, é que o Brasil está um pouco
a frente de alguns países no quesito modificação.
Tanto na forma como as pessoas que não são adeptas
vêem isto, quanto nas informações e oportunidades
que temos. Então, que façamos bom proveito...
Origami: Muito louvável a atitude de vocês
em fazer esse questionário para que os profissionais possam
dar sua opinião. Fiquei bastante satisfeito em poder contribuir.
Paulo Vitor: Acho que gostaria de dizer que quem
procura preço, não está realmente preparado
para ter algum tipo de modificação. Procure sempre
profissionais realmente qualificados, converse, questione, estude
os trabalhos dele, as vezes visual não é sinônimo
de profissionalismo. Pode ter certeza de que se você procurar
o profissional certo o resultado vai valer cada centavo.
Popoldokiss: Todos devemos nos conscientizar de
que o que fazemos só vai evoluir mais quando todos lutarem
pela causa sempre com humildade e respeito e, não fazer porque
é legal falar que faz ou ser conhecido como uma pessoa diferente.
Pensamentos assim não tem valor e só vai prejudicar
quem tem o verdadeiro amor e interesse pela arte. Pessoas que agem
assim só acabam aumentando mais o preconceito e toda forma
de preconceito é suja.
Sempre verifique se está tudo limpo, esterilizado, se o material
é de qualidade e se o profissional sabe o que está
fazendo. Fora isso vamos todo mundo ser feliz sem prejudicar ninguém!
risos
Ricardo Depiné: Parabéns pela iniciativa
de vocês. São ações deste tipo que ajudam
a acabar com o preconceito que as praticas de body modification
ainda sofrem atualmente!
Sick: Acho que sempre digo a mesma coisa, mas é
bom reforçar. Nunca procurem profissionais porque apareceram
na tv ou em revistas. Procurem conversar com outros clientes dele,
ver fotos de trabalho, tirar todas as suas dúvidas, e só
fazer com quem te passar segurança e for te dar um suporte
antes, durante e depois da sua modificação. O mais
modificado e/ou o mais pop nem sempre é o melhor profissional.
E uma coisa que percebi é que clientes tem vergonha de perguntar
as coisas. Mas cliente não tem a obrigação
de saber, e não precisa ter vergonha de perguntar. É
obrigação do profissional tirar todas as duvidas da
pessoa e se não for assim, já não é
o profissional mais indicado.
Valnei: Só tenho a agradecer por me procurar
e dar esse espaço para eu poder falar um pouco da minha experiência
profissional. Nesse exato momento estou gripado pra porra, sem raciocínio
para mais coisas. Espero estar vivo quando essa matéria for
no ar. risos
Trabalhos
do profissional Valnei |
 |
Fim!
*Entrevistas originalmente feitas via trocas de e-mails.